08/11/2010

Brazilian soul: criatividade + sustentabilidade made in Brazil

Edição 1433 do Meio & Mensagem

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Quando criei o conceito Brazilian Soul, o fiz inspirado nas diversas possibilidades de interpretação de alguns elementos emblemáticos de nossa diversidade biológica e cultural. Desejava reinterpretá-los, inspirado pelas cores, formas e texturas tipicamente brasileiras. Quando o conceito virou projeto multidisciplinar, sob a coordenação da Environmental Directions e do Instituto e, começamos com o guaraná da Amazônia. Poucas coisas são tão genuinamente brasileiras como essa região e esse fruto. Não precisaríamos ter viajado tão longe para saber disso, é claro. Mas precisávamos, eu e toda a minha equipe de designers, fotógrafos, artistas visuais e ambientalistas, experimentar a fundo esse tema. Estar frente a frente com essa verdade não foi apenas o ponto de partida para o lançamento de uma série de produtos (coleção, catálogo, documentário etc.). Foi também a oportunidade de consolidar toda uma forma própria de pensar. Uma filosofia de trabalho que busca mais do que a produção de roupas ou documentários; visa a constante conceituação e comunicação de um estilo de vida capaz de proporcionar dias cada vez melhores – e mais sustentáveis – neste milênio.

Um estilo de vida para o qual convergem ações locais e influências globais. Ao mesmo tempo em que aprendemos com a harmonia dos índios, com o gingado da capoeira e com a diversidade de Ipanema, também somos, diariamente, atravessados por referências estrangeiras. Se pararmos para pensar, fica claro que nós, brasileiros, já somos globalizados há muito tempo. A diferença é que agora temos a oportunidade, através de nossa criatividade e de um arrojado espírito empreendedor, de sermos também a grande economia verde do planeta e de sugerirmos um caminho de aproximação, em tempo real, do Brasil com o próprio Brasil e deste com todo o mundo. O Brazilian Soul é, de certa forma, um passo adiante em relação ao que os Estados Unidos fizeram com a exportação do American Dream e de seu way of life por intermédio da indústria do cinema, ao longo de praticamente todo o século XX.

Hoje, não podemos perder de vista que as indústrias criativas como um todo – não apenas o cinema, mas arquitetura, moda, design, software etc. – estão entre as que mais crescem em todo o mundo. Só para lembrarmos, entre 2000 e 2005, segundo dados de 2008 da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o comércio internacional de bens e serviços criativos cresceu a uma taxa anual de 8,7%, fazendo com que as exportações do setor, em 2005, representassem 3,4% de todo o comércio mundial. Só no Brasil, quase 22% dos trabalhadores formais aí se encontram. Desse universo, arquitetura, moda e design respondem por quase 83% do mercado. Estamos falando, em termos de toda a cadeia criativa, de uma participação no PIB de aproximadamente 16,4%.

Diante de dados assim, e do grande destaque alcançado por nossos criativos em todo o mundo – não à toa, o Rio acaba de ser aceito, em tempo recorde, como integrante do Forum Mundial de Cidades Criativas e, já em 2012, sediará o Encontro Internacional –, é evidente que não podemos fechar os olhos para a importância que conteúdos intelectuais, artísticos e culturais têm na agregação de valor a bens e serviços.

Só que não basta um produto simplesmente incorporar tais valores contemporâneos (como o da sustentabilidade, por exemplo); como também não basta se preocupar em se ancorar apenas na construção de uma identidade de marca clara. É preciso que conteúdo e identidade estejam perfeitamente integrados a um design apurado. As empresas que conseguirem expressar este Brazilian Soul em seus produtos e serviços, aliando-o a um design original, a uma linguagem estética universal e a um padrão de qualidade internacional, serão bem sucedidas no mercado global e se consolidarão no nacional. É nessa sinergia que acredito e é ela o que eu advogo para meu trabalho à frente de minhas equipes no Instituto e, na Environmental Directions e na OM.Art. Criatividade com design e atitude sustentável. Tudo genuinamente Made in Brazil.

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Sustentabilidade


Oskar Metsavaht

Fundador do Instituto E e da grife Osklen


As empresas que conseguirem expressar a alma brasileira em seus produtos e serviços serão bem sucedidas no mercado global e se consolidarão no nacional


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