04/04/2011

Os ídolos estão voltando

Edição 1453 do Meio & Mensagem

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Os torcedores dos grandes times do futebol brasileiro podem se orgulhar: os grandes ídolos estão, cada vez mais, fazendo o caminho de volta para o Brasil. Muitos dos talentos que saíram do País precocemente para fazer sucesso em campos da Europa estão optando por continuar a carreira ou se aposentar no Brasil. A maioria, é bom ressaltar, ainda está em boas condições de praticar um futebol de alto nível. A lista de jogadores é extensa: Ronaldo Fenômeno, Fred, Rafael Sóbis, Ronaldinho Gaúcho, Deivid, Thiago Neves, Rivaldo, Valdívia, Adriano, Liedson, Roberto Carlos, Emerson, Deco e Luís Fabiano. Todos jogadores, indiscutivelmente, de nível de seleção.A estabilidade da situação econômica do País e as novas iniciativas de marketing de profissionais que, gradativamente, ocupam funções-chave dentro dos clubes, têm contribuído e muito para esse novo cenário. Os clubes estão adotando estratégias diferentes: enquanto alguns apostam no investimento de parceiros e patrocinadores, outros assumem os valores e criam estratégias de marketing para pagar suas estrelas.

Nas apresentações recentes de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e Luís Fabiano no São Paulo, mais de 70 mil torcedores compareceram aos estádios dos dois clubes para saudar seus ídolos. O número impressiona, pois é bem superior ao público registrado em quase todos os jogos do Campeonato Brasileiro de 2010. O São Paulo apresentou um engenhoso plano de marketing para fazer com que a contratação do atacante seja paga com recursos vindos dos próprios torcedores. No dia da apresentação, já havia simples camisas comemorativas vendidas no Morumbi por salgados R$ 50. No Rio, o Flamengo ganhou a concorrência com outros clubes na disputa por Ronaldinho Gaúcho em virtude da entrada de uma grande empresa no negócio.

O fato é que os investimentos costumam trazer retorno dentro e fora de campo. Em 2009, Ronaldo Fenômeno contribuiu decisivamente para os títulos Estadual Paulista e da Copa do Brasil para o Corinthians. Os dois últimos campeões brasileiros, Flamengo, em 2009, e Fluminense, em 2010, reforçam a tese. Enquanto o Rubro-Negro contou com os gols decisivos de Adriano, o Tricolor usou a trinca Fred, Emerson e Deco, junto com o argentino Dario Conca para levantar o caneco nacional. Fora das quatro linhas, clubes e parceiros lucram com vendas de camisas e ingressos. Nomes como os mencionados acima incentivam os torcedores a pagar um pouco mais para ir aos estádios.

O repatriamento dos grandes jogadores faz parte da história do futebol brasileiro e teve alguns momentos marcantes, como a volta de Romário, em 1995, ao Flamengo. Na época, o Baixinho era ídolo no Barcelona e vinha de recente conquista de uma Copa do Mundo, além de ter sido eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. A transação causou grande mobilização e repercussão em todo o Brasil. Para concretizar o negócio, o time de maior torcida do País contou com a parceria de quatro grandes empresas.

Mas hoje é possível dizer que estamos alguns passos à frente. O fluxo de grandes ídolos que voltam é maior em virtude do crescimento econômico, da força do real e das iniciativas de marketing e investidores.

O novo cenário impõe uma pressão nos clubes que ainda não praticaram operações importantes como essas. Para ser competitivo, hoje, está claro que não basta apenas revelar talentos. O Santos é um exemplo: o time da Baixada Santista mesclou a jovialidade de Neymar e Ganso com a experiência e o talento de Robinho. O clube ainda luta para inverter a lógica do mercado, que coloca os jovens talentos fora do futebol brasileiro precocemente. Com uma carreira bem administrada, Neymar fala em continuar por mais tempo no Santos e, quem sabe, ser eleito o melhor jogador do mundo atuando no Brasil.

A tarefa vai ser difícil diante das sondagens dos clubes europeus, principalmente depois da atuação do jovem craque pela seleção brasileira no jogo em Londres contra a Escócia. Mas este já um outro tema, muito mais amplo, que merece ser abordado em outra oportunidade. O que importa, neste momento, é que o futebol brasileiro ganha em brilho com os craques de volta. Temos a oportunidade de ter campeonatos de nível técnico superior a de anos anteriores. E quem ganhará com isso são os torcedores que vão aos estádios, clubes e os fãs do bom futebol.

Este é meu último artigo fixo nessa passagem pelo Meio & Mensagem. Agradeço à publicação e a todos os leitores que me acompanharam durante esse período e me deram a oportunidade de trocar experiências. Abraço.

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Marketing esportivo


German Hartenstein

Diretor geral da Disney & ESPN Media Networks


O fato é que os investimentos costumam trazer retorno dentro e fora de campo. Em 2009, Ronaldo Fenômeno contribuiu decisivamente para os títulos Estadual Paulista e da Copa do Brasil para o Corinthians. Os dois últimos campeões brasileiros, Flamengo, em 2009, e Fluminense, em 2010, reforçam a tese.


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